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e-Book não é PDF!

A gente costuma dizer que a leitura digital ainda está na idade da pedra, se pensarmos em possibilidades.

Tudo é novo, muita coisa ainda não se sabe. Ainda se testam produtos, arquivos, modelos de negócio, modos de divulgar e levar a leitura digital ao maior número possível de pessoas.

Pelo menos já passamos (eu acho) da fase “leitura em papel x leitura digital”.

Pra mim a melhor metáfora para isso é o cartão de crédito e a nota de dinheiro em papel. Não é porque você tem um cartão de plástico que não usa mais notas. Uns preferem só andar com o cartão, outros usam os dois e existem aqueles que só “trabalham com dinheiro vivo”; todos coexistem em harmonia.

Mas uma coisa é certa: e-book não é PDF. Leitura digital não é pegar um arquivo PDF sem marcas de corte, subir para as plataformas e dizer que publica também em digital. O livro digital — seja ele em texto ou em áudio — é um produto por si só e deve ser pensado para a leitura digital. Tem suas vantagens, seu valor e, claro, suas limitações.

exemplo de projeto gráfico pensado para leitura digital. E-book Kappamakki

Enquanto o e-book for tratado como um subproduto do livro físico, pouca coisa vai mudar e quem perde é o consumidor. Vendê-lo como um apêndice barato, seja em valor agregado ou em preços e descontos, não é trata-lo como produto.

A leitura digital pode, sim, ser mais acessível financeiramente, mas pautar um produto e, mais do que isso, criar no consumidor a cultura de que é bom só porque é barato ou porque tem descontos altos, não traz valor à leitura digital

Ela deve ser entendida como uma ferramenta de facilidade, conveniência, que torna a aquisição de bons conteúdos algo mais rápido, barato e acessível; ainda mais quando falamos de um país do tamanho do Brasil. Ter sua biblioteca na palma da mão, poder acessar em uma leitura links, vídeos, uma quantidade maior de imagens, compartilhar trechos, ter uma interatividade ainda maior são algumas das grandes vantagens e valores da leitura digital.

A decisão de como consumir conteúdo está na mão do leitor. É ele quem vai decidir se vai ler em papel, em um tablet ou se vai ouvir um conteúdo. E cabe a nós, como produtores de conteúdo, disponibilizar boas histórias ao maior número de suportes possíveis. A vantagem de um novo mercado é justamente podermos criar uma cadeia mais justa, onde todos saiam ganhando: livreiros, editores, escritores, ilustradores, agentes, editoras e, claro, o leitor.

Há ainda muito a fazer! Mas uma coisa é certa: e-book não é (só) PDF.

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