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Talkin’ Bout a Revolution

Para mim estamos vivendo uma revolução cultural. Dar voz àqueles que tem histórias para contar, mas que dificilmente conseguiriam entrar no mainstream e ter seu original aprovado – não por falta de qualidade, mas por falta de oportunidade – é maravilhoso. Afinal, se é normal produzir um vídeo e publicá-lo, seguindo o slogan do YouTube: broadcast yourself, por que não também, write yourself?

E, antes que se fale sobre a função do editor, que uma coisa fique bem clara: o papel da autopublicação não é minimizar ou acabar com o papel de editores, revisores, diagramadores e toda cadeia de produção e curadoria do livro, mas sim dar voz a toda e qualquer pessoa que tenha uma história para contar. As plataformas disponibilizam a ferramenta de forma prática e didática, fazendo com que usuários comuns consigam publicar seus conteúdos e ter suas histórias lidas e remuneradas.

Existe aí sim, uma mudança grande de paradigma no fluxo de produção de conteúdo, que antes tinha (somente) as editoras como funil de acesso. Eram elas (como eram as gravadoras e as emissoras de TV) que decidiam quais conteúdos chegariam ou não às mãos dos leitores. A internet começou a mudar isso com a possibilidade de qualquer pessoa ter um blog ou publicar um texto nas redes sociais. A autopublicação elevou isso a um nível onde é possível organizar estes conteúdos como um livro digital e ganhar algum dinheiro, ou em alguns casos um bom dinheiro com isso. Alguns autores brasileiros autopublicados chegam a ganhar mais de R$ 10 mil por mês só com a venda de seus e-books.

Além da Amazon, existem outras iniciativas de autopublicação. Para dar alguns dados de outras iniciativas de autopublicação no Brasil:

  • a Amazon vende milhares de livros publicados pelo KDP diariamente no Brasil (os números exatos são confidenciais);
  • a Kobo com o Kobo Writing Life, mesmo sem ter sido lançado oficialmente no Brasil, já ocupa a posição de número oito entre as editoras mais vendidas da livraria digital no país, conforme revelou Camila Cabete em uma das mesas que participou na Casa PublishNews Coworking, na semana passada em Paraty;
  • o Clube de Autores, plataforma brasileira, vende uma média de 6 mil livros mensalmente, todos autopublicados.

Temos então agora uma situação que deixa positivamente o controle de acesso e o sucesso ou fracasso de um conteúdo na mão do leitor, algo que deveria ser normal, já que livros são feitos para serem lidos e não só lançados. Não existe a peça que faz as vezes de juiz sobre o que é bom ou merecedor de ser publicado. O público é quem manda no mercado.

Para as editoras e agentes, ao contrário do que alguns podem pensar, esta é uma oportunidade de otimizar a compra de direitos e encontrar talentos. As ferramentas de autopublicação são ferramentas de análise de mercado e business inteligence prontas, que dão às editoras métricas como ratings, reviews, classificação de 0-5 estrelas. Tudo isso de graça. Ou seja, a autopublicação é uma fonte de pesquisa e descoberta de talentosos escritores (seja pela qualidade literária, pela audiência que movimentam ou ambos) e não uma ameaça ao ofício de edição.

O mercado viveu e vive um boom de publicações de autores vindos do mundo digital, principalmente youtubes, bloggers e afins… Por que não também autores que se publicam? A partir de um livro autopublicado pode-se fazer um tratamento editorial e lapidá-lo para que se torne ainda melhor.

E ah…para quem não se sabe ou não se lembra, 50 tons de cinza nasceu de um blog que se tornou um livro autopublicado.

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